
Ah, e a quem possa interessar, eu fiz um twitter: @janelasdemarina. Ainda não sei bem como mexer nessa budega, mas não deixa de ser mais um canal. Haja o que dizer hein!
A coragem do amor que dura


Se tem um livro que me marcou demais foi “O Encontro Marcado”, do Fernando Sabino. Foi uma dessas delícias de obra que a gente fica com pena de terminar de ler e tem saudade das personagens.
Quando li passava uma temporada num lugar que significa muito pra mim, a Praia do Sono (saudade louca... Do lugar? Do que eu era... enfim). Depois da última página fechei o livro, fiquei em silêncio um tempão. Olhei o pôr do sol e tive uma emocionada crise de choro. Tinha a impressão que falava sobre mim, sobre as possibilidades que a vida oferece, as mudanças, sobre coisas que em determinados momentos nos valem ouro e que depois não queremos nem de graça (e vice-versa), sobre o valor das amizades e também da nossa inevitável falta de controle diante de alguns acontecimentos.
É a estória de um cara em desesperada procura de si mesmo e da verdadeira razão de sua vida. Quase absorvido por uma brilhante boêmia intelectual, seu drama interior evolui subterraneamente, expondo os equívocos que frustravam sua existência e sufocavam suas vocações. É uma estória linda que trata de prazeres fugidios, desespero, cinismo, desencanto, melancolia e tédio, que se acumulam no espírito de um jovem escritor que amadurece num mundo desorientado.
Gostaria muito de reler esse livro, presente de uma criatura que amo com tudo que posso (pois só assim sei amar), mas depois de cumprir sua missão de me fazer experimentar sensações incríveis, o pobre livro acabou desfolhado numa poça de água da chuva, dentro da minha barraca.
Num momento da estória, a personagem principal - o escritor Eduardo Marciano - acumula uma série de cagadas pela vida e vai conversar com um padre, pedindo uma solução para aliviar-se da culpa que sentia. E o padre dizia algo como “meu filho, se houvesse um remédio pra culpa todo mundo ia querer.” E sendo assim Eduardo seguiu pela vida levando o peso da culpa por coisas que ficaram no passado e que não poderiam ser mudadas.
Assumir-se culpado é como renunciar à reflexão e à evolução. É como se tudo se resolvesse num rótulo: “culpado” e acabou a conversa. Melhor que isso só com “desculpa”, aquela palavrinha mágica que desfaz a culpa.
Recurso muito usado por irresponsáveis é assumir simplesmente que tem culpa. E não se coloca no lugar do outro, não aprende, se arrepende, não muda, não cresce. Quem culpa os outros também sofre a mesma anestesia. A batata quente vai para a mão seguinte e pronto. Evita-se assim o desgaste de pensar nos próprios limites, no que planta e no que atrai pra si dia após dia.
Culpa é invenção da igreja católica, auto-punição pra quem não se sente capaz ou não tem vontade de mudar sua realidade e precisa aplicar o peso de suas atitudes em qualquer coisa que não seja seu coração.
Mas assim como na vida de Eduardo, o Grande Encontro acontece, cada um com sua verdade. Hoje escrevi verdades em um jornal que amanhã vai virar forro de gaiola, e aí eu vou escrever outra. Porque acho possível que ela mude. Ainda bem. Senão quem estaria presa em gaiolas junto com minhas verdades seria eu.

Hoje começa a Virada Cultural de São Paulo, tem muita coisa que tô afim de ver: Os caras do Buena Vista, Orquestra Imperial, Dicró, Cantoria, Otis Trio... Não sei onde vou conseguir estar porque fico afobada querendo aproveitar tudo. Se não me policio acabo não curtindo nada, porque estou num lugar já pensando na sequencia e assim sucessivamente.Sempre achei privilégio ter no meu círculo de amigos tanta gente produtiva, curiosa, criativa. Amigos ligados à música, poesia, moda, literatura, putaria, e outras coisas interessantes. Pois bem, ontem visitei alguns desses camaradas. A serviço. Eu, repórter, eles, a banda de jazz contemporâneo Otis Trio. No começo da semana a Folha de São Paulo fez uma materia dando um super destaque pro grupo. Orgulho. Dor de cotovelo. Também quero fazer uma materia com eles, obstinei-me.
Não sou musicista, crítica musical ou coisa que o valha. Não estava lá pra analisar o som deles. Uma pena, porque se tivesse bala na agulha para faze-lo, adoraria. É uma matéria que busca valorizar a região do ABC, celeiro de grandes artistas, contando um pouco do trabalho bem feito do Otis - Porque essa é a cara do jornal que eu trampo - Deixando clara minha admiração e respeito pelo som dos caras. Porque essa é a minha cara.
Pro jornal sempre rolam uns cortes no tamanho, adequações. Aqui vai na íntegra:
Trio de jazz contemporâneo de Santo André ganha espaço na cena paulistana
O Otis Trio vai se apresentar na Virada Cultural neste fim de semana
Por: Marina Bastos
marina@abcdmaior.com.br
Quem passa em frente à casa em reforma, numa rua tranquila de Santo André, repleta de material de construção na fachada, não imagina que em seu interior, a união de jovens talentos forma o Otis Trio, grupo de jazz contemporâneo que vem ganhando espaço na seletiva cena paulistana.
Mas basta se aproximar um pouco do portão para ouvir os acordes do elegante contrabaixo de João Ciriaco. Ao lado dele estão o guitarrista Luiz Galvão, o baterista Flávio Lazzarin e o ilustre agregado, o saxofonista André Calixto. Em ocasiões especiais e sempre que possível, o trompetista Daniel Gralha e o vibrafonista Beto Montag juntam-se a eles.
No ensaio, lapidam composições autorais que vêm conquistando crítica e público, ao passo que vivem intenso processo de criação. O grupo aposta no estilo que ficou consagrado nas vozes e notas de B.B. king, Chet Baker, Miles Davis, John Coltrane e Ella Fitzgerald, ou mesmo Louis Armstrong. E acrescentaram a isso a ousadia e frescor.
O jazz do Otis equilibra o tradicional e o contemporâneo. A interessante fusão de gêneros clássicos como free jazz, hard bop e trip hop, com o que há de mais atual na música instrumental, agrada os aficionados pelo estilo e também quem não está apto a reconhecer elementos e influências em sua música. É original, bem feito e lisonjeia os ouvidos.
Formado em Santo André no início de 2007, o Otis Trio surgiu informalmente, como conta Luiz Galvão. “O João Ciriaco trabalhava improvisação livre, eu já vinha de experiências com vertentes jazzística e instrumental contemporânea e o Flávio também tinha interesse. Começamos estudar temas juntos e nos improvisos começou despontar a identidade do grupo.”
Eles acreditam que no ABCD existam pessoas interessadas no requinte do jazz autoral, (apesar do trabalho do Otis não ostentar glamour e procurar ser agregador e acessível) tanto é que muitas vezes encontram conterrâneos nos shows em São Paulo, mas foi na capital que encontraram seu público. “Esse estilo requer uma certa regularidade e aqui na Região é difícil encontrar casas que investem no tema, numa programação frequente. Precisamos de tempo para apresentar nosso trabalho e cativar o público, e em São Paulo pudemos contar com essa cultura”, explica Flávio Lazzarin.
Luiz Galvão destaca que o jazz é um investimento a longo prazo para as casas. “Não é um tipo de música que acontece e faz sucesso de uma hora pra outra, as pessoas precisam conhecer, começar a apreciar, valorizar o trabalho de uma banda instrumental, é quase um treino, um processo.” André Calixto acredita que um fenômeno está acontecendo em relação ao público. “Hoje é muito comum vermos um pessoal jovem, que tem sua rotina, seu trabalho, mas à noite sai para curtir um programa até então inusitado pra gente da sua idade, o cara vai ouvir um vinil, um instrumental dos anos 1950, conheço muita gente assim aqui no ABC e o Otis é a trilha sonora desse movimento.”
Atualmente o Otis faz temporada aos sábados no Bar B, reduto de boa música e público apreciador dela e das artes em geral, na República. O grupo, que em 2009 marcou presença no Festival de Inverno de Paranapiacaba, passou também pelo Tapas Club, Studio SP e pelo Berlim, conquistou público, e vem levando o ABCD a conceituados palcos de São Paulo.
Virada Cultural 2010 de São Paulo- O Otis Trio representará muito bem a Região num dos maiores eventos culturais de São Paulo. Domingo (16/05) o grupo vai se apresentar às 14h00 no Palco Matrambowski. Avenida Ipiranga, em frente ao prédio Copan, na República, região central da cidade.
Confira o trabalho do Otis Trio em: www.myspace.com/otistrio
