Quem vem lá?

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Linha da vida


- É... A sua linha da vida é super fraquinha e curta. Isso significa que sua saúde pode ser frágil ou então que você vai morrer cedo mesmo.
Fecho a mão rapidinho e a seguro com a outra. Mas que grande filho da puta esse meu amigo. Ele falou que sabia tudo de quiromancia (ler as mãos). Até então eu estava gostando, achei até que tinha a ver. Falou que eu era muita racional (tinha uma tal de linha da consciência que é super retinha); que eu teria poucos amores; que teria duas profissões simultâneas (até aí todo mundo sabe que eu sou jornalista e queria ser roteirista. Mas também posso fazer docinhos para fora); Até que me veio com esse papo que ia morrer cedo. Mal sabia ele que essa era uma nóia recorrente. Por várias vezes eu achei que poderia sentir a iminência da minha morte, como se ali, na próxima esquina ela me esperasse.
Não consigo me imaginar velhinha, com netos, cabelo roxo, cheirinho de pancake. Eu paro de imaginar depois de uns 40 anos, sei lá por que! E toda vez que fico sabendo que alguém morreu, fico pensando se em algum momento essa pessoa imaginou que isso aconteceria, se colocou uma cueca apropriada, se a meia não estava furada, se teve algum sonho alarmante no dia anterior... Eu tenho muito medo de não existir mais. De olhar aquele menino pelo retrovisor do carro na hora que eu vou embora e ser a última vez. E de causar um trauma na vida das pessoas. Dos meus amigos ficarem confabulando como foi a nossa última conversa e esse texto ir parar naquela comunidade de gente morta no Orkut.
Por outro lado, algumas coisas simples me fazem sentir tão viva que fariam valer a vida toda se ela findasse agorinha. Como quando estou dentro do carro e rola uma música que eu gosto... Aumento o som, abro a janela, e com o vento no rosto me identifico com a frase do Vinícius de Moraes que diz que “são demais os perigos dessa vida pra quem tem paixão”.
E se o picareta do meu amigo estiver certo e eu realmente morrer cedo? Com certeza eu preferiria acrescentar vida aos anos do que anos à vida. Eu poderia dizer que me diverti à beça, que sempre segui meu coração e procurei fazer o bem sem olhar a quem. E não é que teria valido a pena??
Por um lado é até bom não fazer tantos planos, então. Como vou saber se estou no meio, no começo ou no fim de tudo? Só posso dizer que torço para que meu passado seja curto diante do meu futuro, mas que por via das dúvidas todos os dias eu faço valer a pena.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Show me your blog spot!!




É isso aí gente boa... Hoje apresento o local onde escrevo para o Janelas de Marina. Como podem perceber, o cafofo é tão mundungo quanto eu. Mas é simpático e é aqui que eu vivo. Escrevo na sala, onde também ficam a TV, o telefone, meu cachorro e minha família usando coisas ilícitas. hahaha, mas eu sou feliz assim, como podem ver, e é aqui que eu escrevo. Não posto essas fotos à toa, a estória começou com as meninas do blog Two Way Monologue. Elas elegeram a Camila, do "Parece filme mas é vida mesmo" e ela me elegeu. Eu demorei mas coloquei as fotos porque considerei isso uma corrente do tipo "faça isso ou perca seu emprego e uma pomba cagará na sua cabeça hoje mesmo". O Tom Zé- cão vaca, está sempre por perto, ele me inspira e também gosta de cerveja, por isso a gente se dá bem. Achei bacana participar desse lance de mostrar onde você escreve pro blog, primeiro porque acho que é uma curiosidade geral, e outra porque eu sempre acompanho o blog da Camila e se ela quis que eu fizesse issó é sinal de que ela acompanha o meu também. Janelas de Marina só me traz alegria. Ah!! e agora preciso continuar a tal corrente né? Pois bem, aí vai como funciona e os escolhidos:
Show me your blog spot:

1. Uma vez escolhido poste uma foto da onde vc bloga;
2. Sinta-se à vontade para nos contar um pouco sobre o seu espaço, detalhar alguns itens. Ou não.
3. Coloque um link pro post original. Quero ver onde isso vai chegar!!
4. Escolha outro 5 blogueiros, que devem por sua vez, mostrarem os lugares onde eles blogam;
5. Se vc for escolhido e não participar...hummm... vc vai desenvolver uma estranha alergia a repolho. Serio!
Pra continuar eu escolhi os seguintes blogs:
- Bagunça funcional
- Pilotem suas cabeças
- Minhas falsas verdades
- As tolices de Yuri Braga
- Mendez contra Mendez
E quem mais quiser participar!!
Vamos lá macacada!! Escondam a bagunça no armário e mostrem onde escrevem!!


segunda-feira, 23 de março de 2009

Crônicas de um amor bobo


Tudo tem uma cronologia previsível para acontecer. Um dia você conhece alguém legal e passa a noite toda dando bons motivos praquela pessoa achar que encontrou o amor da vida dela. Ele ri de qualquer bobagem que você fala, acha seu cabelo bonito, suas unhas bem feitas e alguma graça no jeito que você dá risada. Tudo poderia permanecer nesse estado de intervalo entre o salto e o mergulho, mas não, as coisas mudam e tudo vira um jogo, onde ninguém quer dar o braço a torcer, demonstrar fraquezas. Ninguém conta que acordou no maior cagaço no meio da noite, com medo da pessoa querida morrer, depois de um pesadelo em que ela caía de um avião, empurrada por um palhaço. Aí um dia você cansa. Cansa de ficar dando bons motivos diariamente praquela pessoa acreditar em você, de se sentir uma monstra cada vez que não consegue ser uma pessoa melhor, mais sincera, menos orgulhosa, menos boca suja, menos bêbada, etc. Aí você se recolhe e segue pela vida com mestre Cartola ao fundo, dizendo que de cada amor tu herdarás só o cinismo. Crê que está fazendo a coisa certa, e lembra que a pessoa assoviava pelo nariz pra respirar, fazia barulho pra comer, tinha a meia furada e que você se livrou de uma. E como isso é cínico.
Até que um dia você conhece outra pessoa, ou reencontra a mesma, e começa tudinho de novo. Um eterno de javu, música no repeat, Gene Wilder estrelando “Dama de Vermelho” na sessão da tarde. Ou não. Ou você pode tentar o caminho da verdade. Uma grande pessoa me ensinou esse termo, que consiste em não fazer jogo de cena, deixar de cara as máscaras de lado e correr o risco de se mostrar exatamente como você é: preguiçoso, beberrão, repetitivo, ciumento, sonâmbulo, sei lá o quê. Isso seria não correr o risco dos velhos maus hábitos se potencializarem com o tempo, e sobressaírem sobre as coisas boas. Seria poupar que ali na frente, bem daqui a pouco, uma discussão babaca por uma opinião negativa sobre um amigo, sobre um rango, sobre o filme, gere um arranca-rabo daqueles e acabe de uma vez com seu domingo. Tentar o caminho da verdade é não fazer a linha, é agir com o coração sempre, admitir-se humano, sofredor feito um corintiano, cheio de defeitos e vontade de dar certo. E eu quero tentar.

segunda-feira, 9 de março de 2009

A importância de ser cortês


Nos últimos dias, dois fatos aconteceram em direções opostas, mas que me fizeram pensar na mesma coisa: a importância de sermos corteses, gentis. Todo mundo anda muito louco, muito apressado, muito preocupado, sem tempo, sem grana, sem tesão pra nada. É muito tentador entrar nessa também, mas eu sempre acho que vale a pena olhar no olho de alguém sorrindo pra dar bom dia (principalmente os desconhecidos), perguntar se está tudo bem e realmente ouvir a resposta. Mas tenho que admitir que também saio da linha e meu lado “curínthia” vem à tona. Explico: Semana passada fui com duas amigas à lotada Vila Madalena. Era domingo e eu tinha acabado de ir à churrascaria, nem sei o que fui fazer num bar lotado de almofadinhas, mas enfim lá estava eu procurando uma vaga quase impossível de se achar. Foi quando vi um careca atarracado colocando a chave na porta do carro, abri a janela e perguntei pro homem mola do He –Man: “Ei amigo, vai sair?” No que ele, no auge de sua simpatia responde “Vou sim, daqui duas horas, aproveita e fica aí olhando meu carro”. Huahahha convenhamos que foi boa, tanto é que minha primeira reação foi dar risada, isso é: até eu perceber que o cara tinha sido um babaca à toa. Quando vi eu já estava com a janela do carro aberta xingando até a última geração do sujeito, com o dedo do meio em riste, totalmente transtornada. Mais transtornada que eu, estava a mulher do cara. Uma loira feia que veio cambaleando lá do outro lado afim de briga também. Bêbada, ela xingava sem nem saber o que tinha acontecido, e eu que sabia (e era uma bobagem) xingava também. O trânsito andou, eu fui embora, mas ainda sob efeito daquela adrenalina negativa, pensando uma porrada de merda. Eu havia me transformado numa pessoa louca como tantas outras que vejo, capaz de jogar o extintor no carro de alguém que nunca viu na vida (uma das merdas que pensei). Quando me acalmei fiquei tão de bode que fui pra casa refletir. De frente pra parede e chapeuzinho de cone na cabeça, vi que eu precisava ficar mais de boa nas horas que realmente eram necessárias. Que se de noite, nas minhas orações, eu pedia sempre paciência, sabedoria e generosidade, mais chances, portanto, eu teria de usá-las.
Em contrapartida, apresento o outro fato: Dia desses estava fazendo as unhas e nessas horas sempre fico meio quieta, pois não sou muito chegada em papo de salão e também nunca sei o que está acontecendo na novela. Mas reparei no esmalte vermelho que uma senhorinha ao meu lado estava passando, elogiei a cor e, sei lá como,começamos uma conversa animadíssima. Ela me contou que também tinha se formado em jornalismo, mas que não exercia, contou das filhas, do cachorro, enfim. Depois ela foi embora e as manicures contaram que aquela senhorinha era meio quieta e até meio ranzinza, que nunca tinham visto ela conversar daquele jeito. E eu perguntei “Ué, mas alguém já tentou conversar com ela?” Silêncio. Uns dias depois lá estou eu dando um talento na manicure de novo, quando cheguei a recepcionista falou que tinha uma “encomenda” pra mim e me apresentou um pequeno pacotinho com um bilhetinho grampeado, nele estava escrito “Para a jovem e doce Marina. De Olívia.” e dentro, o esmalte que eu havia gostado. Um novinho. Fiquei tão tocada, o céu se abriu, tinha música no ar. Pensei: O mundo ainda tem jeito. E eu também!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Mania de explicação


Sou uma grande admiradora daquelas pessoas que conseguem ser bem sucedidas naquilo que fazem. Em especial quem opta por trilhar caminhos não tão fáceis, como os atores, cantores, escritores, poetas, roteiristas, etc. Principalmente esses últimos, com os quais mais me identifico. Ser roteirista no Brasil só dá dinheiro na televisão, não digo isso por mim. Quem disse isso foi a Adriana Falcão, em entrevista recente à revista TPM. Ela é uma das roteiristas da “Grande Família”, eu já curtia muito o trabalho dela, e mais ainda quando descobri que ela escreveu alguns livros infantis, “Mania de Explicação” é um deles. Adriana Falcão não é apenas uma das melhores roteiristas que eu conheço, é uma mulher batalhadora, que passou por altas bad trips durante a vida, mas consegue ver tudo com bom humor: Talentosa, bem sucedida, casada com o lindo João Falcão e até bonita a danada é. Quando crescer, quero ser que nem ela. Estou meio sensível e o tal livro me achou. Fiquei super entretida, me identificando, pensando em algumas definições que ele trazia, me deu uma sensação tão boa, mas tão boa... E agora divido por aqui:

Era uma menina que gostava de inventar uma explicação para cada coisa.
Explicação é uma frase que se acha mais importante do que a palavra. As pessoas até se irritavam, irritação é um alarme de carro que dispara bem no meio de seu peito, com aquela menina explicando o tempo todo o que a população inteira já sabia. Quando ela se dava conta, todo mundo tinha ido embora. Então ela ficava lá, explicando, sozinha.
Solidão é uma ilha com saudade de barco. Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança pra acontecer de novo e não consegue. Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo. Autorização é quando a coisa é tão importante que só dizer "eu deixo" é pouco. Pouco é menos da metade. Muito é quando os dedos da mão não são suficientes.
Desespero são dez milhões de fogareiros acesos dentro de sua cabeça. Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego. Agonia é quando o maestro de você se perde completamente. Preocupação é uma cola que não deixa o que não aconteceu ainda sair de seu pensamento.
Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer, mas acha que devia querer outra coisa. Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára. Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.
Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista. Renúncia é um não que não queria ser ele. Sucesso é quando você faz o que sempre fez só que todo mundo percebe. Vaidade é um espelho onisciente, onipotente e onipresente. Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora. Orgulho é uma guarita entre você e o da frente.
Ansiedade é quando faltam cinco minutos sempre para o que quer que seja. Indiferença é quando os minutos não se interessam por nada especialmente. Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.
Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado. Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes. Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração. Alegria é um bloco de Carnaval que não liga se não é fevereiro.
Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma. Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros. Decepção é quando você risca em algo ou em alguém um xis preto ou vermelho. Desilusão é quando anoitece em você contra a vontade do dia. Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia. Perdão é quando o Natal acontece em maio, por exemplo. Desculpa é uma frase que pretende ser um beijo. Excitação é quando os beijos estão desatinados pra sair de sua boca depressa. Desatino é um desataque de prudência. Prudência é um buraco de fechadura na porta do tempo.
Lucidez é um acesso de loucura ao contrário. Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato. Emoção é um tango que ainda não foi feito. Ainda é quando a vontade está no meio do caminho. Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele. Desejo é uma boca com sede. Paixão é quando apesar da placa "perigo" o desejo vai e entra.

Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado. Não. Amor é um exagero... Também não. É um desadoro... Uma batelada? Um enxame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego?

Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor ela não sabia explicar, a menina.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Desapego







Do dicionário aurélio: desafeição; desinteresse; desamor; indiferença; desprendimento.
Se colocar no Google, 417.000 resultados aparecem. E como é que nada disso consegue traduzir o que eu sinto, ou melhor, o que eu preciso? Será que o desapego é dom exclusivo de sagitarianos e freqüentadores de micareta?
Ontem cheguei em casa um pouco embriagada. Estava contente porque encontrei vários amigos que não via há tempos e o fato de eu ficar a noite toda pagando quase 6 mangos numa long neck foi compensado. Um amigo perguntou se eu havia comprado meu vestido na liquidação de réveillon. Poxa, faço de tudo pra caprichar no figurino e o cara me vem com essa... Mas depois, pensando por outro lado, fazia um puta tempo que não o encontrava. E amigo que é amigo é assim. Já chega zoando. Quando o vi, não pensei em perguntar ironicamente “e aí tem saído muito, tá na balada né?” ou então: “Você deve estar conhecendo muitas outras amigas por aí, não é mesmo??” Simplesmente porque eu posso ficar um baita tempo sem vê-lo e nada vai mudar, meu carinho continua o mesmo, quero mais é que ele se divirta. Isso deve ser amor. Aí nós vamos embora. Ele me abraça e diz “Adorei te ver Má, a gente se fala”, e o incrível é que não perco nem um milésimo de segundo pensando “Mas será que ele vai ligar mesmo?”. Só não sei por que não consigo agir assim sempre. Apego se disfarça de amor. Não só ele como a culpa, a carência, a solidão, etc. Mas eu tô ficando escolada e conseguindo enxergar com minha visão mira laser com nigth shot quando algum desses sentimentos zombeteiros colocam óculos de disfarce (saca aqueles com narigão, bigode e óculos?) e tenta se passar por amor.
Só não sei onde fica o desvio das minhas idéias. Esse software instalado na minha caxola que não me deixa dizer as coisas que eu realmente sinto. É como se ao passar pela minha boca as idéias se confundissem, o que era branco fica preto, o doce, amargo etc. Talvez eu precise mesmo é me desapegar um pouco daquilo que eu acho que eu sou. Pra tentar começar de novo. Acho que eu preciso morrer um pouco. Acho que a saudade e o receio estão me deixando no elo. Acho, também, que to virando emo.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A Estação da Vida


Às vezes a gente passa pelo tempo de mansinho, fingindo não perceber quando um ciclo de vida acabou e outro vai começar. Faz-se de morto pra comer a bunda do coveiro, mas não tem jeito, a vida vem com os dois pés na porta e somos obrigados a nos dar conta. Da finitude das coisas. Dos desencontros. Uma vida sentido Jabaquara, e outra Tucuruvi. Uma se cansa enquanto outra se aquece pra entrar em campo. E não digo isso por razões empíricas. Na verdade até meu espelho já se cansou das minhas razões e meus amigos tomam a cerveja toda do copo num gole só quando começo divagar sobre elas. Ando mesmo repetitiva, prolixa e sem capacidade de síntese.
Então se alivie. O assunto não sou eu e nem minhas perturbações. O caso é que essa semana encontrei uma amiga prestes a dar a luz. Minhas matutações começam daí. Por que ela é mais nova que eu, e aí meu primeiro pensamento é: Nossa, tomara que ela dê conta, ela ainda precisa da mãe dela e vai ser uma. Imagine só, ser para alguém o que minha mãe é para mim! Segundo pensamento: Antes ela do que eu. Terceiro pensamento: Porra, mas eu também queria ser mãe, será que vai demorar muito?! Acho que sim, no momento conto as moedas pra comer lanche de pernil na porta do jogo e me faltam candidatos. Mas olha, acho que eu daria uma mãezona, imagine só: um molequinho dentucinho e bonachão, jogando bola na frente da minha casa com a camiseta do Corinthians! (sinto que nesse instante os candidatos diminuem ainda mais)
Já era tarde e eu estava fazendo hora extra no chá de bebê, aí a Michelle senta com sua barriga de melancia e todo mundo fica atento olhando porque ela diz que a Eva está mexendo e eu sou a única que não enxerga nada. Vou com meus olhos arregalados pra perto dela, tento um novo ângulo e nada, penso que fumaça do narguilé está me atrapalhando (super consciente, o pessoal). Até que ela, linda como nunca, coloca minhas mãos na sua barriga. Penso em fazer um pedido. Vai que funciona né? Tipo Buda, vai saber. Pensamento interrompido por um movimento. Fico careta, abismada, beje. Ela aperta ainda mais minha mão contra a barriga, que afunda. Eu não sabia que afundava e fico horrorizada. Sinto a Eva, a Mi me explica que ali é o pezinho. Entro em parafuso, fico maravilhada e meio assustada (tanto é que, num ato inexplicável e vergonhoso, comecei esfregar mão na minha blusa, com aflição). Dali pra frente foi que me dei conta que de fato havia uma vidinha ali, uma pessoa como eu e você. Até então a Mi estava com uma baita pança e um dia teria um bebê. Simples assim. Agora não, era uma vida e eu me via totalmente apaixonada por ela. Louca pra tocar aquele pezinho sem a barreira da barriga. Aí eu entendi tudo, no porquê dela estar tão feliz e com os olhos mais brilhantes do que nunca, mesmo tendo perdido todas as calças e não conseguindo dormir.
Por outro lado um grande amigo assiste do alto de sua impotência, sua mãe habitar o sono profundo do coma. Duas preparações diferentes, expectativas no extremo de todas as dicotomias. Em uma casa, o milagre da vida é celebrado, o que não deixa de acontecer na outra casa: A vida que se fez, que deixa frutos e que, quando superar tudo isso, será celebrada como no começo. De qualquer forma, temos muito a comemorar. Pela vida da Eva, prestes a começar, e pela vida da Anita, grande mulher, que criou grandes homens, e hoje nos ensina a olhar pra vida com mais amor. Salve.