segunda-feira, 29 de março de 2010
É grande, mas não é duas
sexta-feira, 19 de março de 2010
É da minha natureza
Tatu Bolinha. Onde foram parar esses graciosos artrópodes?
Gostava tanto das aulas de biologia que cheguei a ficar em dúvida se trabalharia com algo relacionado às ciências ou se sucumbiria à comunicação. Fiquei com a segunda opção, mas ainda guardo nesse baú infinito da minha memória, explicações incríveis sobre processos naturais que muitas vezes aplico à minha vida. Voltava pra casa depois da aula com aqueles termos esquisitos ecoando... fagocitose, pinocitose, gineceu, pedúnculo... E como é perfeito, pensava. Comecei acreditar mais em Deus durante as aulas, pois só assim seria possível a existência de movimentos tão bem orquestrados e elementos tão apropriados para cada coisa. É nisso que me apego quando questiono meu papel ou de outras pessoas em determinadas situações, longe de ser um pensamento conformista, mas lembro dos tais movimentos para acreditar que tudo tem um porquê e faz parte de um contexto maior, que nossa limitada visão de homo sapiens (bota aspas aí) não nos permite enxergar.
Enfim, uma das coisas que sempre me encantou é a diferença entre os pecilotermos e os homeotermos. Os pecilo são os sapos, lagartixas, cobras e outros bichinhos. A temperatura do corpo deles varia de acordo com o ambiente, então eles não sentem frio ou calor, porque essas sensações se dão da diferença da temperatura interna com a externa. Em compensação fervem e congelam mais rápido que nós e morrem disso, os pobres. Essa ausência de sensações deve tornar a vida um tanto monótona. Pro bem ou pro mal, não sentir é a pior possibilidade.
Já nós, o Tom Zé, os pôneis, o Chico Buarque, somos abençoados homeotermos. A nossa temperatura interna é sempre igualzinha e protegida de todas as inconstâncias. Mesmo quando gelamos ou fervemos, por dentro desfrutamos da tranqüilidade de homeotermos. Quando tudo fica confuso, amontoado, quando o tempo resolve ser impiedoso, quando me falta calma, bom senso, a classe, o juízo, lembro que aqui dentro está tudo na mais perfeita ordem. Quando me perco, me acho, quando a paixão me esquenta o peito, o ciúme ferve, quando sinto a pressão baixar, a voz aumentar, quando não acho a palavra, o jeito, quando rio na hora que não devia. Lembro que sou humana e homeoterma... E como isso é perfeito.
sexta-feira, 5 de março de 2010
Tem que ser selado!

Fica combinado assim: Quem quiser ornar o blog com o selinho é só pegar e dizer que fui eu que dei. E sobre as coisas que eu deveria dizer sobre mim, coloquei as primeiras que vieram na cabeça (ta vai, não foram as primeiras porque eu sempre penso bobagens cabeludas antes de qualquer coisa), enfim, não queria assumir grandes responsas com opiniões fortes ou alto-afirmações, tem hora pra tudo, hoje é sexta e eu to leve (leve como leve pluma, muito leve, leve pousa... Ah Secos e Molhados cai bem).
Todo mundo é bem mais do que a imagem que cria. Semana que vem tem texto quentinho (No frio eu volto da padaria bem abraçada com o saco de pão, pronto comecei!).
- Odeio salsinha.
- O Mussum, dos Trapalhões, frequentava minhas festinhas porque era namorado da minha tia.
- Tenho uma relação passional com meu travesseiro velho e faço rituais antes de dormir, já achei que fosse TOC.
- Não posso ver programas de animais, tipo da Discovery porque fico com dó dos bichinhos comidos e até choro. Quando vejo futebol fico com pena de quem perde, principalmente do goleiro.
- Quando criança fui de maiô pra escola, num dia que tinha que ir de fantasia, aleguei que estava de nadadora e as meninas todas de fadinha, bailarina... e eu lá com meu maiô da speedo. Numa outra ocasião, recortei da revista anéis, brincos e colares de uma propaganda de jóias, colei com cola pritt pelo corpo e fui pra escola também.
- Adoro MPB, rock, samba, indie, blues, mangue beat, jazz etc, mas no carro gosto de escutar rap. Não gosto de música eletrônica nem de corno, mas confesso que em outros carnavais eu bem que dancei uns axezões.
- Não uso salto alto porque já tenho 1.77 de altura. Mas às vezes coloco só pra ficar me sentindo foda.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
A apneísta
Silêncio constrói e destrói pontes, dá chance pro acerto ou abre alas pro erro. Ficar à vontade em silêncio diante de outra pessoa é cumplicidade e entendimento, delícia poder poupar palavras. Mas às vezes elas faltam à boca enquanto falam alto ao coração e eu não conheço onde abaixa o volume.
A renúncia das palavras infla de poder os outros sentidos, olhos e mãos se procuram, ou entram num processo de repulsa, dependendo do motivo que afugenta a voz. Silêncio é o embarque para uma viagem interior. E a passagem é para um só. Tirar alguém dessa viagem só é possível se a vontade de voltar vier de quem partiu. Mais fácil quebrar uma pedra do que o silêncio. Não há força que o quebre. Silêncio às vezes pesa, sai do peito e vai embora com o choro. E chorar em silêncio antes de dormir é proporcionalmente alivi a dor quanto vomitar quando se está bêbado.
Não se deve temer o silêncio, muitas vezes ele mostra mais do que as mais belas palavras e em algumas situações é a única saída. Fraquezas e virtudes gostam de curtir um romance proibido no escurinho do silêncio. Ponderação dança com o orgulho enquanto o rancor une-se à vontade de dizer que amo demais alguém. Um grande baile da vassoura atrás de uma lona chamada silêncio. Sem música.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Das coisas que a gente fala e não tem nada a ver

-Obrigada!
E uma senhorinha, lá dentro:
- Magina, bem.
Fui embora pensando: “Ué, porque agradeci?? Por eles terem dividido o ar comigo?”. Nada a ver.
Numa outra ocasião, entrevistando um prefeito super sério pelo telefone, tratava-o por senhor o tempo todo. Conversa super formal. Na hora de desligar me distraí com um papo que rolava no msn, um amigo se despedia. Foi nesse momento que eu disse pro prefeito:
-Falou então querido, beijão.
Silêncio do outro lado.
-Pra senhora também.
Mão na testa. Noooossaaa, que que eu disse?? Nada a ver.
E quando a moça do pedágio deseja boa viagem? Eu quase sempre digo:
-Pra você também.
Por que boa viagem??... Eu na estrada e ela lá na cabine, viagem ali só se for de ácido, ela deve pensar ao despejar moedinhas na minha mão. Mas eu sempre corrijo, com sorriso amarelo:
- Quer dizer, bom trabalho. Hehehe.
E ela deve me achar muito, mas muito nada a ver.
De tarde, em casa, tocou a campainha e era um vendedor de rede. Abri a porta:
-Alô?
E ele, meio confuso:
-Alô, quer ver umas redes?
E eu, ainda sem me dar conta da cena nonsense que armara:
-Pode ser, quem é?
E ele, já arrependido de ter tocado minha campainha:
-É o vendedor.
Noossa, que que eu to falando? Muito nada a ver, comecei a rir e não conseguia parar. Acho que o homem das redes ficou com um pouco de dó.
São coisas que agente fala e só depois se dá conta, normalmente por distração, e que nesses casos, não trazem a necessidade de retratação. Falar sem pensar só é engraçado nesses casos, uma vez ouvi que é como atirar sem apontar.
Quando digo algo que diz respeito a mim, a sentimentos, meço muito bem, e respondo por tudo o que digo. Falar é atitude. E tem algo maior por trás, a intenção. Depois disso, a palavra, o beijo, o soco, o choro, são secundários. Não quer dizer que de vez em quando a porca não torça o rabo e eu me arrependa de alguma coisa que disse. Mas caminho e faço por onde para que minha mão só venha de encontro à minha testa por algum “obrigada” fora de hora, e não por algo que possa magoar ou ficar ecoando minha cabeça, até porque, nunca sei muito bem como voltar atrás, o que aliás, também não tem nada a ver.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Quando sobe o letreiro

Cena seguinte: Estou numa arena. No centro, um homem em pé sob um tronco de árvore cortado. Uma multidão circunda esse homem baixinho e careca. Alguma coisa pega fogo por ali. O homem não tem o dom da oratória e eu vou dando as coordenadas afim de que ele subjugue a multidão. Falo coisas no ouvido dele, digo que ele tem que mostrar quem ele é, que ele devia dar uma lição naquelas pessoas. Ele se empolga, e eu trato de baixar a bola dele, digo que só comigo ele não pode, que a cara dele é se crescer pra cima de quem deixa e que por mim ele seria sempre dominado. Seria meu capacho, empregado, escravo, nada. Minha sordidez novamente se revela. Acordei atordoada. Em uma única noite fui voyeur de suruba e gerente geral do inferno.
Tenho visto muitas coisas, tantas realidades, tantas pessoas. A impressão que eu tenho é que vivi muitos meses só neste último. E não só isso, tenho vivido muitas horas dentro de uma, dias dentro de um. Isso tem me deixado à flor da pele (o que será que será), e tem uma razão de ser. É a minha vida de jornalista estimulando minha cabeça e me fazendo olhar de outra maneira pras coisas que me cercam. E isso é só positivo. Deixa de ser quando eu não consigo me desligar das muitas formas que vejo durante o meu dia e me afasto do que me mantém no lugar, no meu eixo. Quando eu vejo uma coisa que enche de cor o meu dia e outra que faria o diabo se arrepiar, e, antes de dormir, a segunda é que fica mais forte na minha cabeça. Tudo passa por mim quando o sono ousa se aproximar. Tento me concentrar, lembro de uma fita de relaxamento que eu tinha, tento rezar, tudo me dispersa.
Descobri que do alto dos meus quase 1.80m de altura, eu acordo com medo quando sonho que mando no capeta, e que, nessas horas, e em todas as outras, um abraço ameniza meus tormentos. Em meio ao turbilhão de informações a que venho sendo submetida, está muito bem guardado o que eu acredito, prova disso é que, observando a mega suruba do meu sonho eu pensei “que falta de romantismo”... Está guardado.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Janelas sempre abertas

- “Vive sua vida, faz a sua e não fica é... é....é... reparando nos outros, ta ligado?? Sumeeeeemo!!!”
Sabedoria... Não muito distante dali...Na praia do Sono, o seu Antônio, morando numa casinha de pau a pique, sabe o melhor vento pra jogar a rede no mar, que a água tem que estar fervendo bastante pra coar café no velho coador de pano e que a filha dele engravidou porque trepou. Um dia eu cantava uma música do Raul pro Seu Antônio, ele gostou e pediu pra ouvir outras enquanto escolhia feijão, coisa que, também, ninguém ensinou. Ele se ateve a uma frase que dizia “Pra ser feliz é olhar, as coisas como elas são, sem permitir da gente uma falsa conclusão!” Falou que concordava com o Raul e sobre a importância de ter os pés no chão e de cuidar da minha vida, discordou quando eu disse que às vezes me sentia egoísta quando pensava assim e debochou dizendo que era engraçado como eu não entendia nada. De como eu era capaz de discorrer sobre história, política, mas que não entendia nada sobre egoísmo. Em outras palavras, outro tempo, e num dialeto bem parecido com o de Fabiano, em Vidas Secas, de Graciliano Ramos, ele me dizia: “Vive sua vida, faz a sua e não fica é... é... é... reparando nos outros, tá ligada? Sumeeeemo!!”
Tenho sonhado muito que estou sem roupa, me trocando na frente de obras, tomando banho com mais um monte de gente. Uma vez li num livro de significados de sonhos (nem só de Graciliano Ramos vive uma mulher) que isso reflete o sentimento de exposição. Paguei R$ 140 mangos e coloquei insulfilm no carro. Mas nem com todo dinheiro do mundo eu conseguiria colocar insulfilm nos meus pensamentos, no meu coração. Não sei esconder, fazer joguinho, e nem quero, não entro nessa. Eu queria falar pro Seu Antônio que hoje eu entendo o que ele me dizia, que ouvi a mesma coisa em palavras mais simples e num momento mais oportuno. E que nas minhas orações, desejo bom senso a quem se dedica a observar, confabular e cobiçar a vida que não é sua. Todo mundo tem em si uma coisa que não é infinita, é energia, há um estoque disso. Um dia acaba. Quem desperdiça energia com questões que não são suas, ou mesmo com questões que ficaram no passado, ou estão no futuro, pode se ver escasso de energia para quando essa realmente se fizer necessária.
Na mesma Praia do Sono, conheci um maluco que muito me intrigava, um sujeito jovem, porém cheio de estórias, gostava de conversar com ele. Um dia ele acordou e falou que ia embora, que era bicho solto, e que cairia na BR outra vez. Eu me emocionei porque criei afeição por ele. Comprei bolinho de aipim para sua viagem. Ele chorou e contou que há muito não chorava. Falou pra eu não me enganar com tipos como ele. Que era pura casca, para pouco o que guardar. Achei triste alguém fazer essa idéia de si mesmo, mas ele continuou, disse que eu era o contrário. Muito o que guardar e nenhuma casca. Nunca mais o vi. Queria dizer a ele que continuo pela vida assim. Que não pretendo mudar ainda que isso me custe algum engano e que tenho casca sim. Uma fica no pé, logo abaixo do dedo mindinho, a outra fica no coração, se chama amor, ilumina meu caminho, me protege, e esse sim, é infinito. Sumeeeemo!!!

