Quem vem lá?

terça-feira, 2 de junho de 2009

Eu, eu mesmo, meu umbigo e meu olho vesgo


Poucos momentos nos deixam tão frente ao que somos quanto alguns simples em que estamos sozinhos. Há quem goste de se deparar assim e há quem se incomode com tantas constatações. Faço parte do primeiro grupo. Fico muito à vontade, sou muito confortável com o que sou. E não acho, por isso, que não tenho um milhão de coisas a melhorar em mim, não tem nada a ver o cú com as calças. Eu amo estar em companhia, sou louca pelos meus amigos, minha família, meu cachorro bafudo. Mas ficar sozinha também é uma delícia. E necessário. Seja pra ler um livro, andar no seu ritmo, enfiar o dedo no nariz.
Neste momento, conversava com um grande amigo pelo MSN, falei que estava entretida, escrevendo um texto sobre o prazer da solidão, sobre o gostoso de estar sozinha (não SER, mas ESTAR). E ele teve um insight, um pensamento profundo:

*Eduardo* ॐDu diz:
isso vai depender muito do motivo da solidão... se for bom vai ser bom se for ruim, péssimo
Marina Bastos diz:
é o que vc tem a dizer sobre o assunto?
*Eduardo* ॐDu diz:
a solidão traz inspiração quando me sinto seguro...
*Eduardo* ॐDu diz:
ela é para os fortes


Semana passada fui ao cinema com uma amiga. Fomos assistir ao filme sobre a vida do Wilson Simonal. Era quinta feira e eu havia encarado a dupla trólebus e metrô para ir pra Sampa. Chuviscava e eu ouvia Louis Armstrong no MP3 (continuo não tendo um ipod. Vê se pode). Depois do filme minha amiga foi embora com pressa e eu havia calculado mal o tempo, já que me encontraria com outra amiga que só chegaria uma hora e meia depois. Fiquei sozinha. Por um momento entrei em pânico. Estava sem crédito no celular e nem poderia importunar meus amigos. Dez da noite. Comecei a subir a Frei Caneca. Coloquei os fones, estava rolando Samba de Verão. Coloquei no volume máximo, danei cantarolar “Você viu só que amor, nunca vi coisa assim, e passou, nem parou, mas olhou só pra mim”... Uma hora o som falhou e eu percebi que estava gritando. O bom é que ali nada espanta muito. Fiz a volta na Paulista e comecei a descer a Augusta, só havia passado alguns minutos. Lembrei da sensação da esteira na academia. Sendo assim, parei num boteco. Pedi uma cerveja e sentei no balcão. Paquerei uma coxinha. Um guarda noturno me paquerou enquanto virava um copo de stanheguer. Hoje é meu dia, pensei. Pedi uma Brahma. “Dois copos?”, olhei pro lado “Só um”, respondi. O bar era meio fedido, tinha um esgoto do lado de fora que alguém com muito senso estético cobriu com um carpete colorido e encardido. Procurava não olhar muito para as pessoas. Pra não caçar assunto. Uma mulher sozinha sempre parece estar afim de companhia. Ali mesmo havia vários caras sozinhos, eles olhavam meio solidários. Acabou minha cerveja. Liguei a cobrar para dois amigos. Pedi outra cerveja. Lembrei da minissérie da Maísa, ela cantando “Meu mundo caiiiiuuu”, com um copo na mão. Fiquei com um pouco de pena de mim. E isso me pareceu muito engraçado. Comecei a rir e foi ficando constrangedor, mas esse é o tipo de pensamento que se você conta pra alguém não tem a menor graça. Ri até o olho lacrimejar. Aí aconteceu uma coisa doida: Uma coisa minha. Quando eu dou muita risada tem vez que eu choro na sequência. E foi isso que aconteceu. As pessoas do balcão esboçavam um risinho para acompanhar o meu, e a cara delas simplesmente se transformou quando perceberam que eu tava chorandinho. Tudo bem... Passou, passou, me recompus, refiz o rabo de cavalo, ajeitei a blusinha. O cara do bar se aproximou, viu que minha garrafa já estava no fim e trouxe outra sem eu pedir. Deixei, vai. Ele começou a contar uma piada tosca pro cara do meu lado, de gaúcho. Percebeu que prestava atenção e contou pra mim também. Resolvi contar uma boa pra eles. Ficamos rindo. Minha amiga chegou e desacreditou, ela tinha ido voando porque eu estava sozinha e quando chegou eu estava contando piada e me acabando de rir. Ela falou que o bar era feio e fedia muito, que tava insuportável. Engraçado.... Eu já nem percebia!


Ps: Foto de Marina Xavier. Uma companhia maravilhosa. Até pra ficar sozinha.

8 comentários:

Talita disse...

Nada me espanta mais. Se outra pessoa me contasse que foi sozinha prum boteco na augusta, e contou piada pro barman, eu estranharia, mas vindo de você, não mesmo. Nada mais justo, você diverte a todos, tinha que se divertir sozinha também. Amo suas estórias, e o jeito que você as conta. passa um filme na cabeça.

beijos. Amo-te

claudinhasf disse...

Mazinhaaa... qdo eu to mto estressada aqui no trampo, a ponto de explodir, entro no seu blog, e sempre tem uma história pra me faezr viajar, rir, enfim, fugir disso tudo aqui e entrar de cabeça noutra dimensão... Enfim, obrigada por fazer dos meus dias melhores viu??!?

beijão

Clau

ostresmacacos disse...

Você não é chegada a games, outras sandices tecnológicas e como diz no texto...continua não tendo um ipod...rs (piadinha horrivel eu sei!!!)
Mudando de assunto, abre hoje em Sto. André o Centro Cultural Perna de Cobra, terá Barão do pandeiro como atração (já tocou com Nelson Cavaquinho entre outros das antigas), sei que está em cima da hora, mas se puder apareça.
R. Artur de Queiros, 99, centro, SA

Até qualquer hora em qualquer lugar.

Vinicius

Bagunceiro disse...

Mari a cada vez q leio os seus textos me sinto um pokinhu mais perto de vc! Sinto q a amizade q temos não eh regada com freqencia e ficamos com aquela sensacao de perda. Falando sobre solidão eu vejo que pra mim as vezes faz mto bem principalmente qdo vc briga ou estah de mau humor e senta numa pça vendo as velhinhas contando fofocas e os cachorros mijando no peh do banco q vc tah sentado.
O melhor eh que sempre nesses momentos vc percebe como a vida eh simples e q todo mundo q faz dela dificil e complicada.
Eu preciso as vezes entrar em contato com as pequenas coisas da vida...mari eu te amo sua sumida...

Talitah Sampaio disse...

maaaaaaaaa...que lindo ...

mas quem fez o video foi o meu amor de presente para mim...

te amo bonitinha

MARCELO MENDEZ disse...

hahhaha... Eu fico muito feliz em ver vc transformando as corriqueiras coisas cotidianas em deliciosas cronicas de vc mesma. Gostei do texto, da alegoria, do jogo cênico (o copo de steinhager ficou demais) e gosto de ve-la produzindo. Não precisa de eu vir aqui pra isso não, bobona, vc ta além de pseudo-avais...

beijooo

malena disse...

sempre bom entrar aki te ver,delicia de texto!

Beijuss no seu eu(rsrs)!

Nações Unidas disse...

O mais foda é que ela não esqueceu de falar do tapete emcima da boca de lobo,haha tava osso o fedo,haha...realmente corri igual uma "lôca" para tentar chegar e, ela para variar já se encontrava rindo sozinha e contando piada para um bebâdo do bar!rs
beijos