Quem vem lá?

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Mudando de estação

Ouvindo Nouvelle Vague hoje de manhã no metrô, me senti num filme. A música “Dance with me” foi repetida várias vezes, grande é a minha capacidade de encarnar nas músicas e ouvir a mesma inúmeras vezes. Pelo menos era no MP3 (é, eu não tenho um Ipod, meu celular não tira boas fotos, iphone nem pensar e, aliás, meu MP3 está quebrado) e sendo assim não incomodo ninguém. O câmera ficaria bem ao meu lado, e eu, fingindo indiferença, olharia pela janela enquanto ele enquadraria minha nuca e o fecho do meu brinco que eu ajeito o tempo todo com medo de perder. Blasé, praticamente uma francesa em plena estação Praça da Árvore. “Sur la place arbre”. Os outros passageiros eram os figurantes. E o moço sentado à minha frente, o mocinho que eu encontraria em outra ocasião e se tornaria o protagonista. Ele estaria na primeira fileira de pessoas que me observavam enquanto eu cantava lindamente “Dance with me” com uma guitarra num inferninho qualquer cheio de fumaça. Depois ele me ofereceria sua cerveja quente e suas sardas virariam inspiração para minhas próximas canções.
Próxima estação: Paraíso. Bom seria se fosse ao pé da letra, eu desceria do metrô e me depararia com o paraíso, tiraria meu all star já imundo do pé e sairia distribuindo abraços apertados nos meus amigos que estariam ali só me esperando, com porções de calabresa acebolada, pãozinho e vinagrete.
Cheguei, Consolação. Será que quando eu descer vai ter alguém ali pronto pra me consolar?

2 comentários:

André disse...

Sim sim...sempre haverá alguém...sempre...mesmo que apenas dentro de ti...

ruy disse...

Que bom!! Adoro quando alguêm sente inspiração de escrever algo que surja da mais suja cidade. Sinal que vc é bastante sensivel em perceber que existe poesia até na mais cinzenta megalopes, porém maravilhosamente linda, cheias de contradições.Isso é a verdadeira relação com o mundo!!
Bjos!!