Quem vem lá?

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A Estação da Vida


Às vezes a gente passa pelo tempo de mansinho, fingindo não perceber quando um ciclo de vida acabou e outro vai começar. Faz-se de morto pra comer a bunda do coveiro, mas não tem jeito, a vida vem com os dois pés na porta e somos obrigados a nos dar conta. Da finitude das coisas. Dos desencontros. Uma vida sentido Jabaquara, e outra Tucuruvi. Uma se cansa enquanto outra se aquece pra entrar em campo. E não digo isso por razões empíricas. Na verdade até meu espelho já se cansou das minhas razões e meus amigos tomam a cerveja toda do copo num gole só quando começo divagar sobre elas. Ando mesmo repetitiva, prolixa e sem capacidade de síntese.
Então se alivie. O assunto não sou eu e nem minhas perturbações. O caso é que essa semana encontrei uma amiga prestes a dar a luz. Minhas matutações começam daí. Por que ela é mais nova que eu, e aí meu primeiro pensamento é: Nossa, tomara que ela dê conta, ela ainda precisa da mãe dela e vai ser uma. Imagine só, ser para alguém o que minha mãe é para mim! Segundo pensamento: Antes ela do que eu. Terceiro pensamento: Porra, mas eu também queria ser mãe, será que vai demorar muito?! Acho que sim, no momento conto as moedas pra comer lanche de pernil na porta do jogo e me faltam candidatos. Mas olha, acho que eu daria uma mãezona, imagine só: um molequinho dentucinho e bonachão, jogando bola na frente da minha casa com a camiseta do Corinthians! (sinto que nesse instante os candidatos diminuem ainda mais)
Já era tarde e eu estava fazendo hora extra no chá de bebê, aí a Michelle senta com sua barriga de melancia e todo mundo fica atento olhando porque ela diz que a Eva está mexendo e eu sou a única que não enxerga nada. Vou com meus olhos arregalados pra perto dela, tento um novo ângulo e nada, penso que fumaça do narguilé está me atrapalhando (super consciente, o pessoal). Até que ela, linda como nunca, coloca minhas mãos na sua barriga. Penso em fazer um pedido. Vai que funciona né? Tipo Buda, vai saber. Pensamento interrompido por um movimento. Fico careta, abismada, beje. Ela aperta ainda mais minha mão contra a barriga, que afunda. Eu não sabia que afundava e fico horrorizada. Sinto a Eva, a Mi me explica que ali é o pezinho. Entro em parafuso, fico maravilhada e meio assustada (tanto é que, num ato inexplicável e vergonhoso, comecei esfregar mão na minha blusa, com aflição). Dali pra frente foi que me dei conta que de fato havia uma vidinha ali, uma pessoa como eu e você. Até então a Mi estava com uma baita pança e um dia teria um bebê. Simples assim. Agora não, era uma vida e eu me via totalmente apaixonada por ela. Louca pra tocar aquele pezinho sem a barreira da barriga. Aí eu entendi tudo, no porquê dela estar tão feliz e com os olhos mais brilhantes do que nunca, mesmo tendo perdido todas as calças e não conseguindo dormir.
Por outro lado um grande amigo assiste do alto de sua impotência, sua mãe habitar o sono profundo do coma. Duas preparações diferentes, expectativas no extremo de todas as dicotomias. Em uma casa, o milagre da vida é celebrado, o que não deixa de acontecer na outra casa: A vida que se fez, que deixa frutos e que, quando superar tudo isso, será celebrada como no começo. De qualquer forma, temos muito a comemorar. Pela vida da Eva, prestes a começar, e pela vida da Anita, grande mulher, que criou grandes homens, e hoje nos ensina a olhar pra vida com mais amor. Salve.

Um comentário:

Flavia disse...

Nossa Mazinha que linda meu,to igual uma tonta...babona:)