Quem vem lá?

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Ecos, espelhos e outras papagaiadas


- Jaca! - Jacagay!!
Certa noite perdida na minha vasta lista de noites memoráveis fui ver o pai de uma amiga tocar com sua banda de jazz. Sonzeira. O cara, que ostenta o insosso cargo de “representante comercial”, nas horas vagas arrebenta no contra-baixo. Por pura sacanagem da molecada da minha rua, o apelido desse grande artista é Cotonete. Seu Cotô, figura lendária, tem a cabeça bem branquinha, como algodão.
Conforme as luzes do palco mudavam de cor, a cabeça do Cotô mudava junto. Verde, azul, vermelho, era lindo. Quando, numa onda meio flash dance, o globo de luz girou em várias cores, seus cabelos assumiram uma apoteótica dança de bolas multicoloridas. Pronto, não prestei mais atenção na música e algo me trazia a nostalgia de antigos e bregas abajures que tinham umas coisas que imitavam chafarizes e iam mudando de cor.
Algumas pessoas são como a cabeça do Cotô. Assumem a cor do que as ilumina no momento. E vão além, adquirem nova sombra, nova áura, porque não possuem nada disso, apenas emprestam daquilo que se põem diante delas. E depois partem para o próximo e previsível passo, o de propagar feito ecos discursos alheios, ancoradas naquilo que também não possuem, história.
Como pedras de gelo, sem cor, sem sabor, sem calor, assumem a forma do ambiente onde são colocadas. Assumem gosto e estado físico. Gelos feitos com água de torneira... vão bem com vodka vagabunda e Jurupinga em bares de esquina, onde são despejados depois do último gole, talvez no próximo copo, menores do que já são, antes que a lucidez se aproxime e nos faça ver a luz do sonho se apagar com a luz do dia.
Difícil saber diante de quem estamos, porque nesses casos fala-se com rastros de outras coisas, do diabo apenas o rabo. Vê-se à beira de um abismo profundo e vazio perguntando: Tem alguém aí? (aí, aí, aí...), e o que volta é sua própria voz, seu jeito, o melhor e o pior de você.
O Seu Cotô passou Grecin 2000 no cabelo e saiu pela rua tal qual um Assum Preto, mas aí perdeu a graça, tem coisas que precisam se mostrar como são, quando são sinceras até causam um fundinho de admiração.

7 comentários:

MARCELO MENDEZ disse...

hahaha.... Analogia bonita da porra... Eu gosto de quando vc escreve crónicas. Tens uma verve fina que vem la dos mestres Paulo Mendes Campos E Rubem Braga, tens o ludismo que o Sabino tinha e uma delicadeza que faz a gente querer pegar no colo seus personagens. Eu ainda tenho fé que um dia vc tomará um espaço pra ter uma coluna nese jornal...

Ta lindo!

beijo

Talita disse...

hahahaah que filha da puuuuuuta... Seu Cotô!! Olha as coisas que você divulga, isso é segredinho íntimo da rua!!
Amei o texto Má, suas comparações, jeito que você conduz o assunto. Você vem com uma voadora nas nossas costas e é capaz da gente falar : obrigada!
Mazinha ácida, mazinha doce, amo vc em todos seus momentos.

Carol disse...

Quando vc escreve umas coisas assim dá um medinho de comentar hihihi, dá impressão que vc tá com aquele olhar. aquele que vc faz com o zoião mirando o meio dos zóio de alguém. ai!
adorei a historia do coto e de como vc sempre dá um toque engraçado qdo fica tenso. lembra vc no dia a dia.
Beijos mazinha mais linda, minha grandona.

Anônimo disse...

PÁ!

Nicolau Ponte Preta disse...

Olá td bom, estou passando para divulgar este documentário se puder der uma olhada. Obrigado.

Sensibilizador documentário "Nos Olhos da Esperança". http://nosolhosdaesperanca.blogspot.com/ É verdade, justiça tardia é injustiça!

Anônimo disse...

Coloca texto novo, Marina. A gente fica tudo viciado e vc fica regulando.
Beijos gatíssima

!*•. Thay .•*! disse...

Menina, Mari, pequenina!!
Coisa mais linda é vir aqui e sair com essa sensação de mais uma experiência vivida... nostalgia boa mulher...
Vim pra responder um comentário e não resisti ao olhar do papagaio =)
Sim sim mais um ano minha filha, 2.2 e vamo q vamo rs.
Fica com Deus
e volte sempre
=* no ♥