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quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Ciranda da Bailarina


Toda vez que eu falo que faço balé a reação é a mesma. Risada. Explico: Tenho 1.78 de altura. Mas até aí, a Cláudia Raia também é grandona e bailarina de primeira. Aliás, quando era criança minha vó dizia que eu tinha pernas da Cláudia Raia e eu ficava puta (claro, era na época da Tancinha). E tem outra: eu não fiz balé quando era criança, comecei depois de velha (aos 25) mesmo. Qual o problema? Não tem gente que muda de profissão? Que vira Hare Krishina? Que resolve dar a bunda? Por que não posso fazer balé?
Eu sei que eu levava mais jeito pra ser jogadora de basquete, rúgbi, lançadora de disco, chutadora de canela... Mas fazer o quê se por trás dessa carcaça comprida há uma alma feminina e delicada?
Já tentei circo, mas como trapezista me saí uma ótima jornalista. Sem contar que os colchões que a gente usava tinham cheiro de cheetos bolinha. E de repente eu me encontrei no balé. É maravilhoso ao fim do dia calçar as sapatilhas e dançar ao som de música clássica, é lindo, lúdico, um momento todo meu.
Na ponta dos pés eu vejo adiante, e fico grande o bastante para assombrar qualquer coisa que venha inquietar esse meu coração. Os pés doem, mas todos os pés que estão realmente no chão doem. A cabeça permanece ereta, e o sorriso... o sorriso nêgo, é obrigatório! O resto é sentir a música, aliar-se a ela, deixar que venha de dentro. E se perder o passo, é só voltar atrás, se cair, é só dar uns tapinhas na bunda pra tirar a poeira e seguir em frente.
As paixões podem ser tardias, e em nome dessa que me faz tão bem, eu aturo as chacotas que ouço. Pode rir, ri, mas não desacredita não. Porque nunca foi do meu feitio não me arriscar nas coisas por achar que não são pra mim.
Outro dia, durante uma aula, ao som de piano, estava errando tudo e me senti num filme do “Gordo e o Magro”. Aquilo foi suficiente para desencadear uma crise de riso sem fim, eu me olhava no espelho vermelha de rir e sabia que se eu explicasse ninguém acharia tanta graça. Só eu era cúmplice do meu auto-escracho. Agora me diz, tem como eu não amar uma coisa que me lembrou o quanto é importante e delicioso rir de si mesma?

5 comentários:

Rafael Morpanini disse...

Bom eu que te conheço muito d ebme de cabo a rabo posso dizer que faltou vc falar que adora rap e passava horas no volante do seu carro ouvindo mano brow e se achando a mana ne marina? huahuahua.
Mas vc é uma lind abailarina...uma linda artista...e como vc perguntou vc tem sim não pouco mas muito de atriz e uma otima atriz.
beijão.
paz e Luz linda.
Ps: To te caguetando huahuahua

MARCELO MENDEZ disse...

hahahaha... Olha, vc tem um jeito de fazer suas crônicas, que me remete a ótimas resenhistas norte americanas dos anos 60, uma verve humoristica inteligente, sarcástica e afiada... Vc como jornalista e mulher grande, és uma grande mulher e ótima escritora...

smackk

Aline Ahmad disse...

O seu texto é sempre primorosó... Que inveja da sua altura se fosse possível gostaria que me cedesse alguns centímetros. Faz quanto tempo que faz ballet?

Beijos de luz,

Aline***

André disse...

"...Os pés doem, mas todos os pés que estão realmente no chão doem..."
Li o texto todo mais esta frase me deixou pensando sabe...
Parece que quando mais no céu esta nossa cabeça, mais pesado fica o chão pisado...Aumenta o peso no meio de campo saca?
Mas como ouvi um dia em algum lugar: sonhar bem alto é quase um passo levantar voo...

Bagunceiro disse...

Sempre gosto de ler esses pensamentos que me fazem entrar em cena e me deparar com você no meio da aula de balé ou mesmo como trapezista. Parece que estou lá no fundo olhando para você caindo e dando risada do erro sem hesitar. Me vejo um pouco em você porque sei que teria a mesma atitude. Pra quê se envergonhar se é mais legal rir e ver que todos estão te olhando com aquela cara de "ela não leva a sério", mas nós sabemos que o nosso estado de espiríto se mostra ainda mais sorridente quando isso acontece...beijão...